segunda-feira, 27 de agosto de 2012

O meu jardim amanhecera
Constelado de brancas margaridas,
Que orvalhadas, ao sol, eram estrelas
Desencantadas e pensativas...
Depois, na tarde azul e triste,
A terra abriu-se para receber-te!

Adormeceste para sempre,
Baixando à terra com as margaridas...
E à noite o céu era um jardim do Oriente
Florindo em luzes pela tua vinda!

Da Costa e Silva

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

estás num intervalo de tempo...

É hora de partir, meus irmãos, minhas irmãs.
Eu já devolvi as chaves da minha porta
E desisto de qualquer direito à minha casa.
Fomos vizinhos durante muito tempo,
E recebi mais do que pude dar.
Agora, vai raiando o dia,
E a lâmpada que iluminava o meu canto escuro
Apagou-se.
Veio a intimação e estou pronto para a minha jornada.
Não indaguem sobre o que levo comigo.
Sigo de mãos vazias e o Coração confiante.

Tagore

domingo, 15 de julho de 2012

sábado, 2 de junho de 2012

yolk life

tenho um livro que faz referência a uma peça de teatro - Yolk Life - escrita por Oddur Bjorsnsson, que tenho andado à procura.... os personagens são fetos gémeos de oito meses. Um dos gémeos é racionalista que aceita o ambiente que o acolhe como o único que ele pode alcançar. O outro gémeo é mais complexo, parece ser fraco e dependente mas tem uma intuição que requer expansão. Acaba por ter uma sensação estranha a respeito de uma outra forma de vida para além da fetal...

transcrevo-vos a última fala da peça, do feto 2:

"você não poderia imaginar um mundo grande, um mundo cem mil triliões de vezes maior do que nós, onde a luz não fosse tão escura e a escuridão não fosse tão clara, onde houvesse seres iguais a nós e diferentes de nós, onde houvesse pianos e cachorros, escritores e cadeiras para nos sentarmos, catálogos de encomenda e homens como os das histórias de fantasmas e....como se chamam mesmo?...mulheres que se multiplicam! E mais espaço para a cabeça, para que pudessemos ficar em pé. Beethoven, para que todos os pianos pudessem ser tocados. Penicos e fotografos de óculos. E todo o tipo de coisas possíveis. E também todo tipo de coisas impossíveis. Hein? Você pode imaginar? Não pode realmente imaginar?"

o feto 1 dá uma resposta rápida: "Não."

a peça termina na escuridão, em silêncio total.

ficamos nós com este dilema.... supondo que o nascimento visto do interior do útero é sentido como morte será que a morte, vista do lado de fora do corpo, será um nascimento?

quinta-feira, 24 de maio de 2012

sábado, 12 de maio de 2012

...


intervalos...

segunda-feira, 7 de maio de 2012

um dia de chuva

foto de Rui palha

Um dia de chuva é tão belo como um dia de sol.
Ambos existem; cada um como é.

Alberto Caeiro - Poemas Inconjuntos