segunda-feira, 26 de julho de 2010

vou partir



oiço o breve adágio do mar que me chama...

domingo, 25 de julho de 2010

soneto do amor total



Amo-te tanto, meu amor... não cante
O humano coração com mais verdade...
Amo-te como amigo e como amante
Numa sempre diversa realidade.

Amo-te afim, de um calmo amor prestante
E te amo além, presente na saudade
Amo-te, enfim, com grande liberdade
Dentro da eternidade e a cada instante.

Amo-te como um bicho, simplesmente
De um amor sem mistério e sem virtude
Com um desejo maciço e permanente.

E de te amar assim, muito e amiúde
É que um dia em teu corpo de repente
Hei de morrer de amar mais do que pude.

Vinicus de Moraes

sexta-feira, 23 de julho de 2010

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Plaza Santa Ana, Madrid



às vezes as palavras não são necessárias

para kend-ito



segunda-feira, 19 de julho de 2010

tirititero... outra história outro olhar

Uma visão…um sonho… ou quiçá algo mais…



Caminha sem rumo certo. As pedras da calçada cedo se transformam em terra batida. Um som doce e um cheiro a cigarras impregna o ar. Ou talvez seja o contrário. A noite trás consigo uma brisa morna que confunde os sentidos…

Tirititero devagarmente caminha. Caminha o seu cansaço . Ao ombro um saco cheio de recordações de sonhos de ilusões? Um saco cheio de marionetas…

Os seus passos são folhas caídas e abandonadas no chão. No chão que se esvai debaixo dos seus pés. Caminha. Sem destino…só em frente.

O meu caminho só se faz a caminhar...

Para onde me levo eu, turvo cansado desassossegado?

O silêncio dos seus passos perdidos procura um leito para se deitar. Só quer dormir. Esquecer o cansaço, a fome, as desilusões. Só quer um colo que vele por si nessa noite.

Com muito cuidado pousa o saco que transporta as suas marionetas. Marionetas que esculpiu com as próprias mãos. A quem se entregou sem medo, em silêncio. Também elas precisam de descansar, pensa ele. Deita-se sobre as raízes que brotam da terra. Terra quente que acolhe o seu corpo a sua vida. O vento parece entoar uma canção… há quanto tempo não ouvia esta melodia?


Não sei se adormeci! Não sei se estou a dormir se estou acordado.


Ao meu redor, em círculo, as minhas marionetas estão de mãos dadas. E olham-me. Com os seus olhitos de vidro feitos. Têm um sorriso triste nos lábios. Nos seus lábios de madeira feitos. Como se sofressem por mim.

Olham para dentro de mim. Uf… que calor me dá o brilho deste olhar.


Não sei se estou a dormir se estou acordado.


De cada uma delas parece sair uma luz. Uma luz sem contorno que se aproxima que se aproxima… cada vez mais perto… que me envolve que se dissolve em mim. Há quanto tempo não ouvia esta melodia?


- a ti meu tirititero te dou a minha capacidade de amar

- a ti meu tirititero te dou a minha sensibilidade

- a ti meu tirititero te dou a minha capacidade de brincar

- a ti meu tirititero te dou a minha sabedoria

- a ti meu tirititero te dou a minha capacidade de dançar

- a ti meu tirititero te dou a minha capacidade de sonhar


A tua história é um abraço. A tua história é um beijo na ternura. Somos pedaços de um caminho feito em nós. Apenas.


No meio do círculo tirititero aperta no peito o sabor que os amigos lhe deixam. Aperta no peito e murmura:


Amigos nos
amigos todos
amigos nos


al final solo importan las personas, lo que hicimos por ellas, lo que no hicimos, lo que dijimos, a quien amemos y quien nos amo, lo que sentimos y lo que hicimos sentir
Solo las personas


no suelo estar siempre… un dia desaparezco…


As marionetas entreolham-se numa compreensão de espíritos e de afectos. E cantam a melodia muito antiga que o tirititero tinha esquecido.



Ao longe um clarão ilumina a noite. Dir-se-ía que forma um caminho. Rumo ao céu. Rumo às estrelas. O caminho da Alegria. Arcadia?

Olhando para os seus amigos tirititero pergunta – vamos?




E por alguma poção mágica ou por algum feitiço dos deuses ou simplesmente por Amor, as marionetas despem os seus fatos de madeira e adquirem um aspecto humano.

Homens e Mulheres com vozes diferente, com sotaques diferentes, com cheiros diferentes…com um olhar igual.

Homens e Mulheres de mão estendida para ele olham-no e dizem:

Este é o caminho que escolhemos. Aqui na Terra. Somos pedaços de um caminho feito em nós. De saudades de lágrimas de descobertas. De ternuras e afectos. De reencontros. De dias lentos. De momentos que passam a correr. De desilusões. De alegrias. De despertares em manhãs frias sozinhos. De adormeceres em braços aconchegados. De peregrinações nas veias dos nossos sonhos. Somos passos apressados e lentos que caem e se levantam inquietos perdidos, de crianças, fortes e poetas e loucos … somos passos de esperança…para a Alegria!

Este é um caminho. Infinito.



Tirititero ouvia. Inclinava a cabeça sobre o ombro, mordia o lábio inferior e ouvia.


E de súbito lançou a cabeça para trás e deu uma sonora gargalhada. E dançou. E sonhou. E amou. E brincou. E disse num piscar de olhos – Vamos, amigos, que temos muito trabalho a fazer!



Por muito estranho que possa parecer, tirititero, nesse dia, escolheu o caminho dos Homens. E caminhou lado a lado, com os homens e mulheres que trazem dentro de si uns bonecos de madeira


Udni la princesa, Friederick el caballero, Piggy el bufon, Adami la hadita, el aprendiz de escriba, el boticario...y algunos más.

quinta-feira, 15 de julho de 2010

vens?



- Vens-me buscar?

- Vou. Mas onde?

- Tanto faz, desde que me venhas buscar.

Pedro Paixão, “Histórias verdadeiras”